Confundo-me tão fácil comigo, ou com um sentimento, uma atitude, não sei
nem que título vou dar pra isso, ou o que vou escrever. Não penso pra sentir,
nem reflito pra como vou sentir, só sinto, sem explicação. Um sentimento se
sustenta, é quase autossuficiente, mas são tantos sentimentos que até me perco
na infinidade de mim.
Deve fazer uns dois dias que parei pra pensar sobre o que eu sou (sobre
minha vida) e me decepcionei ao saber que sou o "Seu Zé" do Ninguém,
não encontro nem a mim, como vou encontrar um outro alguém, talvez esse texto
não seja sobre amor, nem sei sobre o que isso é, talvez seja sobre mim, sobre a
confusão em mim e de mim, mas parece tão solitário e egocêntrico, e é.
Percebo nas pequenas coisas o GRANDE nada que eu sou, o vazio que me
tornei, sou um poço de sentimentos e um poço de confusões, penso, mas desisto,
reescrevo e borro o lado limpo que sobrou de um papel amassado que é minha
vida, talvez eu dê um jeito de aparecer e me encontrar.
Sinto-me parte de algo tão maior, tão mais alto, mas eu sou tão
minúsculo perto de um horizonte imenso, sou uma gota d'água no meio de um
oceano, mas cada homem é uma ilha, cada um sente de uma maneira, cada um vive
com seu próprio conceito. O meu: falhado sem nem mesmo me convencer.
Há um oceano dentro de mim, eu só tenho que achar o caminho pra
imensidão, mas parece tão longe, e dentro de mim não há rodovias ou caminhos
abertos, dentro de mim só há caos e solidão, abandonado por mim mesmo vivo
navegando em direção a um alvo borrado pela escura neblina dos meus sentimentos
sem razão. Mas um dia eu viro um farol e ilumino todas as minhas ideias
esboçadas num papel de rascunho queimado, porque eu me abandonei, eu deixei-me
levar pela maré que me levava pra longe daquele alvo que citei logo ai em cima.
Acho que virei apenas um amontoado de sentimentos, que, no final não se sente nada,
não se decifra nem se escolhe, sou uma incógnita em mim, sou o Zé
Ninguém, sou o ninguém de mim.
Ygor Gonçalves ou Zé Ninguém.